Henry Wagner chamou ex-policial de 'matador experimentado'.
Ele também disse que outras pessoas devem ser denunciadas.

Promotor
Henry Wagner conversa com a impresnsa no fim do primeiro dia de
julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola (Foto:
Raquel Freitas / G1)
Ao deixar o Fórum de Contagem,
nesta segunda-feira (22), o promotor do caso Eliza Samudio, Henry
Wagner Vasconcelos de Castro, disse que não acredita que o ex-policial
Marcos Aparecido dos Santos confesse participação na morte da ex-amante
do goleiro Bruno Fernandes durante o julgamento. “Nenhuma expectativa de
confissão. Imagine se um matador experimentado, um matador
profissional... Se ele iria em algum caso concreto se assumir como tal.
Se ele se assumisse como tal, as pessoas que já se valeram dos serviços
dele em outras situações entrariam em um tal estado de instabilidade, de
insegurança que de certo ele colocaria em risco a própria
sobrevivência”, afirmou o promotor.
(A partir de segunda, dia 22, acompanhe no G1 a cobertura completa do julgamento do caso Eliza Samudio,
com equipe de jornalistas trazendo as últimas informações, em tempo
real, de dentro e de fora do Fórum de Contagem, em Minas Gerais. Conheça
os réus, entenda o júri popular, relembre os momentos marcantes e
acesse reportagens, fotos e infográfico sobre o crime envolvendo o
goleiro Bruno.)
Henry Wagner também avaliou como “proveitoso” o primeiro dia do júri
popular de Bola, em que a delega Ana Maria Santos foi ouvida por cerca
de seis horas. Ele disse ainda que a defesa do réu atua de modo
“massante” em plenário e que esta forma de condução dos trabalhos é um
“tiro no pé”. “Gera em torno de si, da parte dos jurados, uma
significativa antipatia, pois muito perceptível que grande parte das
indagações dirigidas pela defesa à doutora Ana Maria tiveram víeis
estritamente argumentativo”, criticou.
Questionado sobre o trabalho dos delegados na fase de investigações, o
promotor afirmou que “a Polícia Civil, em princípio, fez tudo que estava
ao seu alcance para o desmascaramento de uma sequência de fatos
criminosos de extrema complexidade”. Entretanto, segundo Henry Wagner,
com o passar o tempo, o olhar sobre o processo tende a se ampliar,
referindo-se a possível participação de outras pessoas, além dos réus,
na morte de Eliza Samudio.
O promotor disse que espera o fim das investigações complementares para
fazer uma “única e última denúncia que conglobe todos os demais
possíveis envolvidos nesta trama diabólica que culminou na ocultação do
cadáver de Eliza”. Henry Wagner afirmou ainda que “muito provavelmente”
haverá mais pessoas denunciadas, além do policial Gilson Costa e do
policial aposentado José Laureano de Assis Filho, o Zezé. Ele não
revelou, porém, quem seriam estas pessoas nem qual seria a participação
delas no crime.
Primeiro dia
A juíza Marixa Fabiane Lopes encerrou a sessão desta segunda-feira (22) por volata das 22h30 no primeiro dia de julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de matar e ocultar o cadáver de Eliza Samudio – ex-amante do goleiro Bruno Fernandes – após o depoimento da Delegada Ana Maria Santos. A policial falou no Fórum de Contagem por cerca de seis horas como informante a pedido da defesa. Ela participou das investigações do caso na época do inquérito policial.
A juíza Marixa Fabiane Lopes encerrou a sessão desta segunda-feira (22) por volata das 22h30 no primeiro dia de julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de matar e ocultar o cadáver de Eliza Samudio – ex-amante do goleiro Bruno Fernandes – após o depoimento da Delegada Ana Maria Santos. A policial falou no Fórum de Contagem por cerca de seis horas como informante a pedido da defesa. Ela participou das investigações do caso na época do inquérito policial.
Ana Maria afirmou que Jorge Luiz Rosa – primo do goleiro Bruno
Fernandes, e adolescente na época do crime – disse em um dos depoimentos
que o executor de Eliza seria branco, "patolinha", com falhas nos
dentes e responderia pelo apelido de Neném. Segundo a delegada por
medo, Jorge deu outra descrição do executor de Eliza quando ouvido no
Rio de Janeiro, dizendo que era pessoa "alta e negra". "Ele disse que o
fizera porque estava com medo", relatou a delegada. O medo, conforme
ela, era do executor de Eliza.
Segundo a delegada, os olhos do primo de Bruno ficavam lacrimejando
durante o depoimento. "Não raras vezes, conteve o choro ao falar do
momento da execução", disse. Ela ainda afirmou que Jorge estava
tranquilo e lucido no depoimento. "Eu reafirmo, ele [Jorge] me
transmitiu muita credibilidade, ele foi bastante detalhista”. Jorge foi
ouvido pela primeira vez no Rio de Janeiro e depois em Contagem, ambas
na época em que o crime foi descoberto e começou a ser investigado. O
primo de Bruno foi o primeiro a falar que Eliza Samudio estava morta.
O depoimento da policial também foi marcado por questionamentos de um
dos advogados de Bola, Ércio Quaresma, sobre a investigação policial e o
trabalho da Polícia Civil. Como o não indiciamento do policial civil
aposentado José Lauriano de Assis Filho, também conhecido como Zezé, e
investigado pelo Ministério Público por participação no crime. Ana Maria
afirmou que os elementos não eram suficientes para indiciar Zezé. "Isso
aqui foi fraude, nós vamos provar", diz o advogado segurando o
relatório do inquérito.
Vários objetos apreendidos durante a investigação foram expostos no
plenário: algo parecido com um tapete, um travesseiro, facas, embalagens
de produtos de higiene infantil, cheques e cartões em nome de Luiz
Henrique Romão. Havia também notebooks e um envelope fechado onde estava
escrito a palavra cabelo. Até mesmo uma arma foi mostrada. Segundo o
assistente de acusação, José Arteiro, a arma e outros objetos mostrados
durante o júri ficam guardados no cartório e foram expostos a pedido da
defesa.
A sessão desta segunda-feira (22) durou cerca de 13 horas. Os trabalhos
começaram durante a manhã, onde foram ouvidas as preliminares da defesa
de Marcos Aparecido dos Santos e da promotoria. Após um intervalo para
almoço, o Conselho de Sentença foi definido: quatro homens e três
mulheres julgarão o ex-policial pelos crimes de assassinato e ocultação
de cadáver de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes – já
condenado pelos crimes.
Antes disso, a juíza Marixa Fabiane indeferiu pedidos da defesa para
desconsiderar a certidão de óbito de Eliza Samudio e de adiamento do
julgamento pela ausência de duas testemunhas: a delegada Alessandra
Wilke e de Jorge Luiz Rosa, primo de Bruno.
Os três filhos e a mulher de Bola acompanham a sessão no Tribunal do
Júri de Contagem. O réu aguarda em um cela no fórum e ainda não foi
chamado pela juíza Marixa Fabiane Rodrigues, que preside o júri.
O início dos trabalhos também foi marcado pela ausência de uma
testemunha, José Cleves, que precisou ser localizada por um oficial de
Justiça. A juíza determinou que ele fosse buscado em casa e considerou a
falta como "um absurdo". O depoimento das testemunhas deve ser iniciado
na tarde desta segunda-feira (22).
Júri
Sete jurados decidirão o destino do réu no Fórum de Contagem, na Região
Metropolitana de Belo Horizonte (MG), no júri presidido pela juíza
Marixa Fabiane Lopes Rodrigues. A previsão é que o julgamento dure três
dias, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Bola está
preso desde 2010, acusado de ser o executor da jovem. Uma propriedade
dele, em Vespasiano (MG), foi um dos locais vaculhados pela policia.
Bola seria julgado em novembro do ano passado, porém, no primeiro dia
do júri, seus advogados abandonaram o plenário e ele se negou a ser
representado por um defensor público. Depois disso, teve seu julgamento
desmembrado.
O ex-policial ainda responde pelo desaparecimento, tortura e morte de
duas pessoas, em Esmeraldas (MG), em 2008, e pelo assassinato de um
homem em 2009, em Belo Horizonte. Em novembro de 2012, ele foi
absolvido, da acusação de ter assassinado um carcereiro no ano 2000, em
Contagem.
Segundo o Ministério Público, nove acusados, sob ordens de Bruno,
participaram do sequestro e desaparecimento de Eliza Samudio, entre eles
o amigo Macarrão e uma ex-namorada do goleiro, ambos condenados em novembro.
A acusação contra uma pessoa foi arquivada. Para a Promotoria, o
jogador, que atuava no Flamengo, arquitetou o crime para não ter de
reconhecer o filho que teve com Eliza nem pagar pensão alimentícia. Conheça todos os réus.
No dia 8 de março, o goleiro Bruno Fernandes foi condenado
a 22 anos e 3 meses de prisão em regime inicialmente fechado por
homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de
recurso que dificultou a defesa da vítima), sequestro e cárcere privado e
ocultação de cadáver. A pena foi aumentada porque o goleiro foi
considerado o mandante do crime, e reduzida pela confissão do jogador.
Conforme a denúncia, Eliza foi levada à força do Rio de Janeiro para um
sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em cárcere
privado. Depois, foi entregue para o ex-policial Bola, que a asfixiou e
desapareceu com o corpo.
O bebê Bruninho, filho de Eliza e de Bruno, que foi achado com desconhecidos em Ribeirão das Neves (MG), hoje vive com a avó em Mato Grosso do Sul. Um exame de DNA comprovou a paternidade.
Além do ex-policial, dois réus ainda vão ser julgados separadamente. No
dia 15 de maio, vão a júri Elenílson Vitor da Silva e Wemerson Marques
de Souza. Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, foi morto a tiros em agosto. Dayanne Rodrigues, ex-mulher do goleiro, foi absolvida durante o julgamento em março.
Investigações
A polícia encerrou o inquérito com base em laudos que atestam a
presença de sangue de Eliza em um carro de Bruno, nos depoimentos de
dois primos que incriminam o goleiro, em sinais de antena de celular e
multas de trânsito que mostram a viagem do grupo do Rio de Janeiro até
Minas Gerais e em conversas de Eliza com amigos pela internet, nas quais
relata o medo que sentia.
Eliza também havia prestado queixa contra o atleta quando ainda estava
grávida, dizendo que ele a forçou, armado, a tomar abortivos. Ela ainda
deixou um vídeo dizendo que poderia aparecer morta se não tivesse
proteção.
Apesar de os primos de Bruno terem alterado as versões, os depoimentos
devem ser usados pela acusação no júri. Um deles, Jorge Luiz Rosa,
adolescente à época, já cumpriu medida socioeducativa por atos análogos a
homicídio e sequestro. Ele foi o primeiro a delatar o goleiro,
confessando ter ajudado Bruno a levar Eliza ao sítio. O jovem contou que
a vítima foi entregue a Bola e que ele presenciou a morte. Dias depois,
negou tudo.

O jovem, hoje com 19 anos, voltou a falar em entrevista ao
'Fantástico' neste ano. Ele disse que não tinha como Bruno não saber que
Eliza seria morta.
O outro primo, Sérgio Rosa Sales, ajudou na reconstituição do crime,
mas foi morto com seis tiros, em agosto deste ano. Ele também chegou a
desmentir as acusações contra o goleiro, mas, em uma carta enviada por
ele aos pais, incluída no inquérito, relatou ter sofrido ameaça de
outros advogados para alterar o depoimento. À época, o advogado de
Bruno, Francisco Simim, negou qualquer pressão.
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