Manifestante teve asfixia por bomba de gás lacrimogêneo neste sábado (9).
Em 2012, 74 pessoas morreram durante tumulto em estádio de futebol.

Manifestante
tenta se livrar da fumaça provocada por uma bomba de gás lacrimogêneo
na ponte Qasr Al Nil, perto da Praça Tahir, no centro do Cairo, na tarde
deste sábado (9) (Foto: Amr Abdallah Dalsh/Reuters)
Um manifestante egípcio morreu neste sábado (9) em um confronto com a
polícia perto da praça Tahrir, no Cairo, após um tribunal do país
confirmar a sentença de morte contra 21 pessoas por participação em um
motim no estádio de futebol de Port Said em 1º de fevereiro de 2012,
quando 74 torcedores morreram. A decisão já havia sido anunciada em
janeiro, mas foi anunciada neste sábado.

Fontes de segurança informaram à agência de notícias Reuters que a
pessoa morreu pelos efeitos de uma bomba de gás lacrimogêneo. Outros 65
indivíduos envolvidos no protesto ficaram feridos, alguns por balas de
borracha.
Segundo o chefe dos serviços de emergência egípcios, Mohammad Sultan, a
vítima morreu asfixiada dentro da ambulância que a transportava após
ter aspirado o gás usado pelas forças de segurança, que enfrentam
centenas de manifestantes revoltados.
Segundo a agência France Presse, um manifestante teria sido morto por
bala de fogo em um confronto com a polícia. Mas ainda não está claro se
seria a mesma vítima.
A televisão estatal do Egito também exibiu imagens de manifestantes levados em ambulâncias.
O veredito anunciado nesta manhã enfureceu milhares de torcedores, que
atearam fogo à Federação Egípcia de Futebol e a um clube da polícia
próximo na manhã deste sábado. Dois helicópteros do Exército foram
usados para apagar o fogo.

Apesar de o caso envolver torcedores de dois times de futebol rivais, o
Al-Ahly e o Al-Masry, os protestos têm ganhado um caráter político,
pois muitos moradores culpam a polícia de ter apoiado a violência no ano
passado.
Os confrontos, que ocorrem entre grupos de jovens e policiais há várias
semanas, foram retomados depois que um tribunal do Cairo condenou, além
das 21 pessoas à morte, 24 a penas entre um ano de prisão e sentença
perpétua. Outras 28 foram absolvidas.
Incêndios
A sede da Federação Egípcia de Futebol e parte de um clube da polícia foram incendiados por torcedores do clube Al-Ahly na manhã deste sábado (9) no Cairo, logo após a confirmação da sentença de morte para os 21 acusados.
A sede da Federação Egípcia de Futebol e parte de um clube da polícia foram incendiados por torcedores do clube Al-Ahly na manhã deste sábado (9) no Cairo, logo após a confirmação da sentença de morte para os 21 acusados.
Os bombeiros tentaram apagar as chamas que se propagavam pelo edifício
da federação de futebol, localizado no mesmo bairro que o clube da
polícia. Dois helicópteros do Exército também foram usados para
combater o fogo.
Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas nos protestos, segundo
informou um funcionário do Ministério da Saúde egípcio à agência estatal
de notícias Mena.
Anúncio pela TV
Mais cedo, o juiz Abdel-Maguid Sobhi da Corte egípcia anunciou, ao vivo pela televisão, o veredito para 52 réus acusados no processo – ao todo, 73 pessoas foram julgadas, e 21 foram condenadas à morte em janeiro. Agora, cinco réus pegaram prisão perpétua, nove (incluindo um major-general e um coronel) ficarão 15 anos reclusos, seis pegaram 10 anos, dois foram condenados a 5 anos e um a 12 meses. Entre os absolvidos, estão sete oficiais da polícia suspeitos de atos violentos. Os advogados dos acusados poderão recorrer da decisão judicial.
Mais cedo, o juiz Abdel-Maguid Sobhi da Corte egípcia anunciou, ao vivo pela televisão, o veredito para 52 réus acusados no processo – ao todo, 73 pessoas foram julgadas, e 21 foram condenadas à morte em janeiro. Agora, cinco réus pegaram prisão perpétua, nove (incluindo um major-general e um coronel) ficarão 15 anos reclusos, seis pegaram 10 anos, dois foram condenados a 5 anos e um a 12 meses. Entre os absolvidos, estão sete oficiais da polícia suspeitos de atos violentos. Os advogados dos acusados poderão recorrer da decisão judicial.
Em janeiro, o anúncio da setença dos 21 torcedores pela Justiça egípcia
gerou uma onda de protestos e outros óbitos. Cerca de 40 pessoas
morreram em confrontos com as forças de segurança do país, a maioria
baleada.
Como esperado, a decisão do tribunal não conseguiu acalmar as tensões
sobre o caso, que assumiu características políticas em um momento em que
todo o Egito está mergulhado em uma turbulência política, com piora da
economia e crescente oposição às regras do presidente islâmico Mohammed
Morsi.
Na expectativa de novas ondas de violência, as autoridades do país
reforçaram a segurança próximo ao Ministério do Interior, que está no
comando das forças policiais. A polícia foi enviada às ruas ao redor do
complexo, no centro do Cairo.
Em Port Said, cidade localizada no Mediterrâneo, ao fim do Canal de
Suez, e foi alvo da tragédia em 2012, esteve em rebelião aberta durante
semanas contra o presidente islâmico. Centenas de pessoas, muitas delas
parentes dos réus, se reuniram em frente aos escritórios do governo
local para desabafar a raiva. Elas gritavam palavras de ordem contra o
governo Morsi e os vereditos aos torcedores.
O tumulto na cidade começou em 25 de janeiro, quando centenas de
milhares de pessoas em todo o país lembraram o segundo ano do início da
revolta que derrubou o regime do ex-presidente Hosni Mubarak.
Durante os confrontos entre a polícia e manifestantes na semana
passada, que incluiu bombas de gás lacrimogêneo, oito pessoas foram
mortas em Port Said. Na sexta-feira (8), a polícia local entregou o
controle de segurança da cidade ao Exército.
Entenda o caso
A tragédia aconteceu durante um jogo entre os times Al-Masry e Al-Ahli no estádio de Port Said. Quase no fim da partida, quando o Al Masry, mandante do jogo, vencia por 3 x 1, torcedores do Al-Ahli abriram cartazes com ofensas ao Al-Masry, e um deles entrou no campo com uma barra de ferro.
A tragédia aconteceu durante um jogo entre os times Al-Masry e Al-Ahli no estádio de Port Said. Quase no fim da partida, quando o Al Masry, mandante do jogo, vencia por 3 x 1, torcedores do Al-Ahli abriram cartazes com ofensas ao Al-Masry, e um deles entrou no campo com uma barra de ferro.
A torcida do Al-Masry reagiu invadindo o gramado e agredindo os atletas
do Al-Ahli, e depois voltaram às arquibancadas para bater em torcedores
rivais. Segundo testemunhas, a maioria das mortes foi de pessoas
pisoteadas pela multidão ou que caíram das arquibancadas.

Torcedores do Al-Ahly gritam em frente à sede do clube na tarde deste sábado (9) (Foto: Amr Nabil/AP)


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