Parentes reclamaram da demora na revista, e grávidas não entraram hoje.
Pavilhão 1 do presídio em Contagem ficou 31 horas em poder dos detentos.
Do G1 MG
As visitas aos detentos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem,
foram retomadas neste sábado (23). Os presos do pavilhão 1 fizeram uma rebelião que durou 31 horas e só terminou às 16h desta sexta-feira (22).
Na manhã de quinta (21), uma professora do ensino fundamental e um
agente penitenciário foram feitos reféns pelos presos do pavilhão 1.
Eles queimaram colchões e destruíram parte do telhado. O fornecimento de
luz e de alimentos foi cortado desde o início da rebelião até a
libertação dos reféns, 31 horas depois. Depois de um acordo com parte
das reivindicações dos presos atendidas, os dois reféns foram
libertados, sem ferimentos.
Parentes chegaram ansiosos para a primeira visita após o motim. Alguns relataram que tiveram medo durante a rebelião. O início da visita, que deveria ter começado às 8h, atrasou e os portões só foram abertos às 9h30. Alguns familiares reclamam da demora na revista para começar a visita. E a agilidade nas visitas era uma das reivindicações dos rebelados.
Outra reivindicação dos detentos que a Secretaria de Defesa Social
atendeu era a volta da visita de mulheres grávidas ao sistema
convencional. Antes da rebelião, a visita de grávidas era feita em uma
sala reservada, com a presença de um agente penitenciário, porque elas
não podem ser submetidas ao exame de raio-x na revista. Algumas delas
estiveram na penitenciária na manhã deste sábado, mas não puderam
entrar. Uma delas disse que os agentes disseram não saber quando elas
poderiam entrar de novo no presídio.
A Subsecretaria de Administração Prisional informou que as grávidas
foram avisadas que só terão as visitas liberadas nos próximos dez ou 15
dias. Ninguém da Secretaria de Defesa Social foi encontrado para falar
sobre a demora nas visitas.
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Rebelião na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem,acabou por volta das 16h (Foto: Reprodução/TV Globo) |
A secretaria ainda informou que o diretor da penitenciária não será
afastado. Esta era uma das exigências da rebelião. Apesar de não ter
sido atendida, a Corregedoria garantiu que vai apurar as denúncias de
espancamento feita pelos detentos que participaram do motim.
"A direção não foi mudada. Continua a mesma. Será feita uma correição
na unidade prisional, para ver se, realmente, o que eles [presos]
colocaram como demandas são verdadeiras ou não. Isso foi um dos
compromissos que a gente assumiu", afirmou o subsecretário de
Administração Prisional, Murilo Andrade de Oliveira.
O subsecretário informou, ainda, que a previsão para o fim da apuração
das denúncias apontadas pelos rebelados é de 30 dias. Porém, o prazo
pode ser prorrogado, segundo Oliveira.
Oliveira falou também que a reforma nos pavilhões danificados começa
neste sábado (23). Ele não soube dizer o valor do prejuízo. Enquanto os
danos são reparados, os 103 presos do pavilhão 1 vão ser tranferidos
para o pavilhão 2, que fica ao lado.
Oliveira informou que uma varredura foi feita nesta sexta para
verificar se há algum celular com os presos. As aulas da próxima semana
foram suspensas, conforme informou o subsecretário.

Detentos passam por revista após fim da rebelião na Penitenciária Nelson Hungria em Contagem (Foto: Reprodução/TV Globo)
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