Queda do edifício de cinco andares aconteceu na segunda-feira.
Equipes chegavam perto do alojamento onde o jovem costumava dormir.

O Corpo de Bombeiros seguia, na manhã desta quarta-feira (4), o
trabalho de remoção de entulho para tentar encontrar o vigia e ajudante
de pedreiro Edenilson Jesus Santos, de 24 anos. Ele está desaparecido
desde a noite de segunda (2), após o desabamento do prédio em construção
em que ele trabalhava em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Por volta das 6h30, as equipes de resgate chegavam perto do alojamento
onde o jovem costumava dormir, no segundo subsolo do edifício. Na terça,
os bombeiros encontraram os documentos dele e uma cama que estava
intacta no meio do entulho.
A queda do edifício de cinco andares, com 30 apartamentos, aconteceu
por volta das 19h20 desta segunda-feira na Avenida Presidente Humberto
Castelo Branco, altura do número 1.900. Os 13 operários já haviam saído.
O vigia, de 23 anos, costumava dormir no segundo subsolo do prédio e
não foi mais visto
desde então, segundo colegas de obra e a família.
"Pela planta que temos, o alojamento deles era no segundo subsolo.
Possivelmente, esse rapaz estava lá", disse o capitão dos Bombeiros
Alessandro da Silva, que atua nas buscas.
Os bombeiros encontraram nesta terça, nos escombros, alguns pertecens
da vítima: "Acabamos de retirar do entulho a carteira com a identidade e
o número do telefone. Já ligamos e deu caixa postal. O trabalho agora
vai se basear tecnicamente nos cães, que vão dar suporte para a gente,
delimitando locais onde a gente pode atuar", afirmou Palumbo.
O capitão falou da dificuldade em encontrar a vítima com vida. "São
nove pavimentos (cinco andares, térreo, mezanino e dois subsolos), e a
vítima que estamos procurando está no segundo subsolo. A gente verifica
que é uma situação bem difícil. Se a gente encontrá-lo com vida, com
certeza ele vai ter muitas histórias para contar".

Bombeiro busca vigia com ajuda de cão em Guarulhos (Foto: Beto Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Rachaduras
irmão do vigia, Edvaldo Jesus
Santos, que também trabalha na obra há 7 meses, disse que via rachaduras
na estrutura do prédio. "A gente fazia um dia, e no outro dia ela
estava de volta". Edvaldo também relatou a falta de equipamentos de
segurança durante a construção.
O advogado da construtora responsável pelo edifício disse que essa
hipótese é improvável. “Sem equipamento de segurança é impossível. Obra
deste tamanho sem fiscalização não existe”, afirmou Maurício Monteagudo,
que defende a empresa Salema Comércio, Construção e Projetos Ltda.
O pedreiro Gildásio Santos, tio de Edenilson, disse ter certeza de que o
jovem está sob os escombros. "Ele trabalhava e morava aqui [obra], só
ia pra casa da irmã dele no fim de semana". Segundo o tio, a família
está tentando falar com o vigia desde o acidente, mas não consegue. "A
esperança da família é que ele seja encontrado com vida. Estou torcendo
para essa história ter um final feliz".
Cães
Nesta manhã, o capitão Carlos Roberto Rodrigues, do Corpo de Bombeiros, informou que os cães farejadores sinalizaram uma possível localização da vítima, em um ponto a cinco metros de distância da rua e cerca de 7 metros abaixo do térreo.
Cães
Nesta manhã, o capitão Carlos Roberto Rodrigues, do Corpo de Bombeiros, informou que os cães farejadores sinalizaram uma possível localização da vítima, em um ponto a cinco metros de distância da rua e cerca de 7 metros abaixo do térreo.
"Estamos trabalhando com todo o cuidado para tentar chegar próximo a
esse local sinalizado pelos cães. Nós estamos falando de um desabamento
em camadas. Mas, no segundo subsolo, onde havia a maior probabilidade de
estar o operário, existem espaços vitais isolados, onde há uma maior
probabilidade de nós o acharmos", disse.
O ponto apontado pelos cães é uma área no segundo subsolo a cerca de 10
metros de distância de um chuveiro encontrado aberto. Segundo o
capitão, a estrutura dos escombros foi alterada com uma movimentação de
lajes, o que torna o local muito instável e de alto risco para o
trabalho dos bombeiros.

Moradores de uma casa que fica ao lado da construção, e que também foi
atingida pelos escombros, foram retirados em segurança. Oito casas da
rua debaixo foram esvaziadas por precaução, de acordo com a Defesa
Civil. Os moradores foram encaminhados para residências de parentes ou
abrigos. Às 7h desta terça, três residências já haviam sido liberadas.
Mais de 20 equipes dos Bombeiros de Guarulhos, Suzano e Mogi das Cruzes foram enviadas ao endereço.
O prédio que estava sendo construído na avenida, que fica paralela à
Rodovia Presidente Dutra, era comercial, segundo a Prefeitura de
Guarulhos.
Alvará de construção
Por meio de nota, a prefeitura de Guarulhos informou que o "alvará de construção foi emitido em 23 de novembro de 2012 para erguer um condomínio residencial de 30 apartamentos e 2 salões comerciais, totalizando 3.706 metros quadrados". No dia 14 de maio, a empresa Salema Comércio, Construção e Projetos Ltda., responsável pela obra, entrou com um pedido de substituição do projeto, acrescentando um mezanino em um dos salões comerciais. "Esse alvará foi expedido em 6/11/2013, por atender aos requisitos legais e técnicos aferidos pela prefeitura", informou o comunicado.
Por meio de nota, a prefeitura de Guarulhos informou que o "alvará de construção foi emitido em 23 de novembro de 2012 para erguer um condomínio residencial de 30 apartamentos e 2 salões comerciais, totalizando 3.706 metros quadrados". No dia 14 de maio, a empresa Salema Comércio, Construção e Projetos Ltda., responsável pela obra, entrou com um pedido de substituição do projeto, acrescentando um mezanino em um dos salões comerciais. "Esse alvará foi expedido em 6/11/2013, por atender aos requisitos legais e técnicos aferidos pela prefeitura", informou o comunicado.
De acordo com a prefeitura, "a responsabilidade sobre a execução da
obra, de modo a garantir que todas as medidas de segurança estrutural do
prédio e de bem-estar dos funcionários que a executavam fossem
cumpridas, cabe à empreiteira, através do seu engenheiro responsável".
O G1 tentou entrar com contato com o proprietário da Salema Comércio, Construção e Projetos Ltda., mas não obteve retorno.

Escombros do prédio que desabou na noite desta segunda (2) em Guarulhos (Foto: Roney Domingos/G1)
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